Você realmente acredita que é fácil ser adolescente?

Você tem filhos adolescentes ou convive com algum adolescente? Então, deve saber que, por si só, já é uma fase de grandes mudanças e de crises também. Deixar de ser criança e encontrar o caminho para a vida adulta, com mudanças em evolução no corpo, nos sentimentos e nas sensações que tudo isto traz! Ufa! Parece coisa demais??

Pois então te digo que não acaba por aqui…

Quando eu era adolescente (e isto já tem uns 30 anos), qualquer coisa que eu fizesse seria exposto para algumas pessoas da escola e no máximo alguns vizinhos. Hoje, em 5 minutos a INTERNET e as redes sociais levam suas imagens para o outro lado do mundo! E com certeza, muitas vezes os adolescentes não têm ferramentas para lidar com as consequências.

E os riscos cada vez maiores para a integridade física e emocional se associam às dificuldades, que nós, enquanto família temos de trabalhar em parceria com a escola. É isto mesmo! Se você acredita que apenas a família tem responsabilidade na educação dos adolescentes, você está equivocado e persistindo num erro que pode sim, deixá-los em maior vulnerabilidade.

Precisamos enquanto família, entender que a questão não é dizer não à escola e sim questionar qual é o preparo que os profissionais que lá trabalham têm para nos ajudar e ajudar nossos filhos.

Não adianta apenas ensinar adolescente a usar camisinha, por exemplo, se ele não entender que precisa se respeitar e respeitar o outro. E isto, inclui a construção de muitos valores éticos que precisam ser foco de discussão com seus pares (outros adolescentes) para que coloquem em prática nas suas vidas. E com profissionais preparados, qual o melhor local para este aprendizado? A escola.

Te convido a refletir sobre este assunto!

Te convido a perceber que ao não nos permitir refletir sobre tudo isso, os maiores prejudicados são quem mais amamos, nossos filhos!

Abraços e até a próxima!

Lilian Macri

Movimento Educando para a Vida

Você conhece o Movimento Educando para a Vida? Não?

Então com certeza, logo, logo você ouvirá falar dele e irá participar!

Num mundo de mudanças constantes e no momento em que  as instituições mais importantes da nossa sociedade (família e escola), estão com graves dificuldades em oferecer ferramentas adequadas às crianças e adolescentes para crescerem de forma saudável , o Movimento Educando para a Vida,  vem trazer formação para resgatarmos valores éticos que nos conduzam à humanização nas relações.

O Movimento Educando para a Vida privilegia 3 questões:

          ⁃Que as crianças aprendam a se relacionar com o mundo, com os outros e com elas mesmas, desde bebês. E que este aprendizado, deve ser guiado. Lembrando que se relacionar com o outro, inclui questões do corpo, das próprias sensações e do consentimento mútuo e como ela se vê no mundo;

          ⁃A segunda é que o tripé escola – família – criança e adolescente precisam participar ativamente, em parceria para garantir os direitos de aprendizado e de vida.

          ⁃        E ainda que se feito em parceria os três envolvidos neste tripé serão beneficiados como um todo.

O movimento visa ajudar a criança/adolescente, família e escola a entenderem que as novas tecnologias e as transformações que estão acontecendo no mundo precisam ser encaradas da melhor forma possível, trazendo suporte para o aprendizado desta nova realidade, dos benefícios que podem nos trazer e modos de proteção de nossas crianças e adolescentes.

E tudo isto de um modo sistemático.

Reflita sobre o assunto, pergunte na escola dos seus filhos se eles já conhecem este movimento.

Não perca a oportunidade de estar realmente presente na vida de seus filhos. Eles só ganharão com isso.

Movimente-se com a gente e eduque para a vida!

Abraços e até a próxima!

Lilian Macri

Falando sobre gênero

Falar de gênero na escola e em casa desde pequenininhos deveria ser obrigatório. E você? Sabe por quê?

Estamos num país onde os homens morrem 5 vezes mais em situação de violência nas ruas e as mulheres sofrem muito mais violência dentro de casa. Pois então, precisamos perceber que enquanto família e escola estamos deixando de fazer nossa parte na educação das crianças e adolescentes.

Ensinamos desde pequenos que menino não chora, não leva desaforo para casa e torna a violência um caminho para eles. Por outro lado, as meninas precisam ser boazinhas , tranquilas e esperarem seus príncipes encantados. Provavelmente vocês já perceberam onde vamos chegar com isso.

Crianças e adolescentes precisam aprender desde pequenos que
igualdade deve existir e ensinar valores capazes de humanizá-los. E este
aprendizado começa com o pai respeitando a mãe nos relacionamentos
dentro de casa. Passa por falarmos que o irmão não pode controlar a vida
da irmã. Que os dois, podem participar de qualquer brincadeira desde que
seja adequada para a idade e seja segura. Alcança ainda, não contarmos
“piadas” que desmereçam as mulheres, pois comentários que ofendem
não podem ser considerados brincadeira.

As atividade e tarefas da casa devem ser divididas independente
do sexo e deve-se estimular a criança a entender que não existe trabalho
de meninas ou meninos.

Outro fato importante é falar sobre consentimento e que ele deve ser treinado: tanto meninas e meninos devem aprender a falar não e a respeitar o não do outro. E se você acredita que isto não é importante,lembre-se que desde 2017 temos a realização da campanha “Não é Não” no carnaval para ensinar aos homens o que é consentimento e que deve ser praticado.

Por todos este motivos, da próxima vez que quiserem vender notícias falsas pra você, lembre-se que: falar de gênero é fundamental e urgente na nossa sociedade e uma forma eficaz de protegermos nossas crianças, tornando-os adultos e cidadãos mais preparados, capazes e felizes para um mundo mais justo e igualitário!

Abraços e até a próxima semana!

Lilian Macri

Educação em Sexualidade, o que é?

Olá!

No maio laranja, ao falar de prevenção de abuso sexual infantil e no adolescente falamos muito de educação em sexualidade desde a infância. Mas do que se trata? O que inclui? Quem deve fazer?

Primeiramente precisamos saber que sexualidade é muito, mas muito mais que relação sexual. Ela inclui a forma como criamos vínculos com outras pessoas, sejam no relacionamento amoroso, de amizade ou no trabalho. Inclui o conhecimento que temos do nosso corpo, das nossas sensações e como nos aceitamos ou não. Passa por aprender a dizer e receber não, por aceitar a diversidade em suas varias esferas, entre outros.

Portanto para conseguirmos enxergar o que é sexualidade infantil, precisamos esquecer relação e desejo sexuais.

Pois como a maioria de nós não teve a chance de ter este aprendizado, nem pensamos sobre isto e vamos automaticamente à vivência apenas do ato sexual.

E esta construção, este aprendizado começa desde bebê, na forma como interagimos com as pessoas e o mundo ao nosso redor e como eles nos estimulam. E assim, vamos crescendo e aprendendo e de acordo com a faixa etária dúvidas e questionamentos surgem. A curiosidade faz parte da criança e é assim que ela aprende.

A família é o primeiro núcleo na vida dos pequenos, e por isso, precisa participar deste processo.

Para tanto precisamos nos reciclar e entender que o mundo mudou, que a forma de se educar há 50 anos não deve ser a mesma de agora, pois nossos filhos vivem numa outra realidade. Devemos manter o que sempre foi bacana e mudar o que for necessário.

Outro local no qual as crianças passam muitas vezes mais da metade do seu dia é a escola. E acreditem, muitas coisas acontecem lá: curiosidade com relação ao corpo do outro, o auto toque genital, o contato com o diferente nas mais variadas esferas. Portanto, acreditar que simplesmente a escola não deve se colocar é ignorar as necessidades dos nossos filhos.

Devemos sim, questionar a escola que tipo de formação seus profissionais receberam para lidar com as crianças nestas questões, de forma ética e sem impor suas próprias crenças, pois educação não se faz assim.

Além de estar com nossos filhos, a parceria com a escola pode nos ajudar a aprender e lidar com as questões que aparecem em casa.

A educação em sexualidade feita desde a infância deve ter bases em valores éticos, em perceber limites, em entender e praticar respeito.

E é assim, mudando nosso olhar e refletindo sobre tudo isto é que mudaremos o mundo que deixaremos para nossos filhos, de pouquinho em pouquinho, todo dia. E esta mudança precisa acontecer antes de tudo, dentro de nós, enquanto famílias e educadores.

Abraços e até o próximo post!

Lilian Macri

Abuso e exploração sexuais infantis e na adolescência são problemas mundiais

Maio Laranja é o mês de intensificação das Campanhas de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil. O Problema é global, e apesar do Brasil aparecer em 11º no ranking de medidas protetivas, de acordo com o relatório Out of the Shadow Index, publicado no início do ano pela revista britânica The Economist (em parceria com o World Childhood Foundation e Oak Foundation), ainda precisamos entender o fenômeno e intensificar muito nossos trabalhos nesta área.

O relatório avalia o ambiente, em itens como a segurança; as leis de proteção às crianças; compromisso e capacidade dos governos; e o engajamento do setor privado, da sociedade civil e da mídia. Desta forma, a nota é composta por 34 indicadores e 132 subindicadores. Quanto maior a pontuação, maior a probabilidade de as crianças serem protegidas.

Segundo o estudo, “o estigma e a falta de uma discussão aberta sobre o sexo, direitos das crianças e gênero” podem prejudicar a capacidade de um país de proteger suas crianças. Até por que, historicamente, os casos envolvendo menores são encobertos por omissões, tabus e pelo fato da maior parte dos abusos serem cometidos por pessoas próximas às vítimas.

Acredito que as limitações brasileiras passam principalmente pela falta de uma educação em sexualidade conduzida pelos pais em parceria com a escola, desde a infância, e de políticas públicas que incentivem esta educação feita com profissionais preparados de forma ética para realizá-la.

A preocupação com as crianças é ainda maior em relação aos casos de estupro de vulnerável. De acordo com os dados divulgados pela SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo) o número de casos de estupro cresceu em todo o estado em 2018. Foram 11.950 boletins de ocorrência registrados, o equivalente a 32 casos por dia, uma alta de 7,76% em relação ao ano de 2017. Esse é o maior índice desde 2013.

Os crimes cometidos contra pessoas consideradas vulneráveis tiveram a alta ainda mais acentuada, cerca de 14,3%, com 8,6 mil casos. Só na capital paulista, enquanto o número de denúncias de estupro cresceu 1,7%, os registros de estupro contra vulneráveis cresceu 10,6%.

Em 2013, houve 12 mil registros, mas esse índice caiu nos dois anos seguintes. No entanto, desde 2016, as autoridades policiais apontam que esse tipo de crime está em ascendência.

Em Taubaté, de Fevereiro de 2017 a 2018 foram registradas 30 denúncias, o número cresceu para 48 no mesmo período de 2018 a 2019.

Estima-se que esse número pode ser ainda maior, já que a maioria dos abusos acontece dentro de casa, por algum familiar da vítima. No Hospital Universitário de Taubaté são atendidos em média 3 vítimas desse tipo de crime por semana.

A grande maioria dos abusadores sexuais infantis cometem o crime contra crianças por acreditarem que elas estão à sua disposição. A crença de que crianças e adolescentes são objetos. E sua objetificação às colocam em situação de risco dentro do local que deveria protegê-las: a família. E estas relações desiguais de gênero são mantidas pelo machismo.

Em meio a esses índices desoladores a pergunta que não quer calar é: Como proteger as nossas crianças? Através do diálogo, do amor e da orientação. Estabeleça laços de confiança entre você e o seu filho/filha, conduza-o a uma educação sexual adequada a cada fase do seu desenvolvimento. Que ele saiba que o corpo é dele e que somente ele deve tocar em suas áreas íntimas. E que se alguém tocá-lo de forma diferente, ele deve contar a você.

O olhar atento dos pais/cuidadores a qualquer mudança de comportamento também é fundamental. Se você notar que seu filho está diferente, triste e isolado. Investigue, vá a fundo, converse com a criança. Não tenha medo e nem vergonha, peça ajuda e denuncie, disque 100!

Veja algumas dicas de como proteger seus filhos

1- Estabeleça laços de confiança;

Seu filho precisa saber que pode confiar em você, que pode ter contar tudo e que você está ali para ajudá-lo e protegê-lo de tudo e todos;

2- Mostre para o seu filho que o corpo é dele e estabeleça limites;

Ensine seu filho que ele pode dizer não se alguém forçá-lo a tocar, abraçar ou beijar outra pessoa. Ao cumprimentar um desconhecido, o aperto de mão pode ser uma alternativa a beijos e abraços. Não force seu filho a beijar ou abraçar alguém;

3- Crie uma rede de proteção;

Ajude seu filho a formar esse grupo, que deve reunir três ou quatro adultos em que ele confia para contar o que quiser caso se sinta preocupado ou inseguro.

4- Respeite a intimidade;

Chame as partes íntimas de seu filho pelo nome correto e explique que ninguém, criança ou adulto, pode tocá-las, a não ser os responsáveis. Diga ainda que não é legal que ela toque no corpo de outra pessoa;

5- Forneça ao seu filho educação sobre sexualidade;

Aceite o desafio conduza naturalmente uma educação sexual, sadia e segura para o seu filho, respeitando a idade e grau de compreensão da criança e entenda qual é e o quão importante é o papel da escola;

6- Ensine ao seu filho algumas medidas básicas de proteção;

Exemplifique uma situação de risco com uma história e oriente-o uma forma de se proteger;

7- Fique atento aos sinais;

Explique à criança que seu corpo é inteligente e, por isso, mostra quando está desconfortável. Dor no estômago, coração acelerado ou suor sem motivo podem indicar que algo não vai bem, e isso deve ser contado a um adulto de confiança;

8- Não estimule segredos;

Explique que sua família não tem segredos. Que tudo pode ser contado para um adulto de seu confiança.